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| Henrique Pizzolato |
Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal
por seu envolvimento com o esquema do mensalão, o ex-diretor do Banco do
Brasil Henrique Pizzolato fugiu do Brasil para a Itália e anunciou
neste sábado (16) que pedirá novo julgamento, agora por um tribunal
italiano.
Uma equipe da Polícia Federal esteve na casa do petista para buscá-lo na
sexta-feira (15), mas a família disse que não sabia o paradeiro dele.
Neste sábado, contudo, parentes do ex-diretor do BB divulgaram nota à
imprensa afirmando que Pizzolato está na Itália há 45 dias.
O advogado Marthius Lobato, que defendeu Pizzolato no processo do
mensalão, disse que só soube ontem que ele estava na Itália e que não
sabe como ele deixou o país. Segundo ele, Pizzolato, que tem cidadania
italiana, teve seus dois passaportes retidos pela Justiça no ano
passado.
A PF disse que a fuga do país aconteceu pela fronteira terrestre com o Paraguai em Ponta Porã (MS).
Da cidade fronteiriça Pedro Juan Caballero, Pizzolato teria ido a
Assunção e tirado novo passaporte italiano. Então, embarcado rumo ao
país europeu.
Lobato, que declarou sua participação no caso encerrada, distribuiu uma nota deixada
por Pizzolato, em que o petista critica a maneira como o processo do
mensalão foi conduzida pelo Supremo Tribunal Federal e anuncia que
pedirá novo julgamento.
"Por não vislumbrar a minha chance de ter um julgamento afastado de
motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi
consciente e voluntariamente, fazer valer meu legítimo direito de
liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não
se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no
tratado de extradição Brasil e Itália."
Pizzolato foi condenado por ter autorizado o repasse de R$ 73,8 milhões
do Banco no Brasil para o esquema do mensalão, que distribuiu milhões de
reais a políticos que apoiaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva entre 2003 e 2005. Pizzolato recebeu R$ 336 mil do esquema.
O ex-diretor do BB disse durante o julgamento que esse dinheiro era
destinado ao PT e que os recursos repassados pelo Banco do Brasil foram
aplicados em campanhas publicitárias, e não desviados para o esquema do
mensalão.
Se o petista for localizado na Itália, o Ministério da Justiça poderá
entrar em contato com a Corte Suprema italiana pedindo sua extradição.
Dificilmente a Itália irá aceitar o pedido, porque Pizzolato também é
cidadão italiano. A situação tende a se complicar por causa da recusa do
Brasil, em 2010, em extraditar o italiano Cesare Battisti, condenado na
Itália por quatro atentados terroristas ocorridos durante a década de
70.
Fonte: Folha de São Paulo