sábado, 21 de setembro de 2013

PETROLINA 118 ANOS



A minha homenagem à Petrolina aniversariante, é hoje um pouco diferente.
Diferente porque faço uma saudosa comparação entre a Petrolina que eu conheci ontem e a Petrolina que hoje eu vejo isto é: a Petrolina que vivi em um passado não muito distante - bonita, calma, bucólica, romântica e por demais, acolhedora e a Petrolina do presente, esta que visitei no mês de julho passado – sempre bonita, atraente, fervilhante... Porém um tanto indiferente. Também pudera, é uma cidade que cresce assustadoramente, que está ficando com cara de capital; e é lógico, que as pessoas praticamente já não são as mesmas e os costumes vêm mudando por conta do movimento migratório fácil de perceber!

A primeira - saudosista cheia de lembranças, de recordações que não acabam mais.

A segunda - atual, buliçosa, embalada pela pressa que faz a gente passar pelas pessoas sem as reconhecer, sem parar para um cumprimento, e onde se torna raro encontrar velhos amigos.
Conto nos dedos os amigos e conhecidos que tive o prazer de rever.

Antes em Petrolina todos se conheciam, paravam pra conversar; podiam sentar e prosear nas praças e na porta de casa, ou dormir nas calçadas em noites calorentas sem medo de assaltos.
Refiro-me à Petrolina em que o ponto alto da moçada era passear de mãos dadas na Praça Dom Malan, refrescar-se com as guloseimas das Sorveterias Calípso, Nossa Senhora Auxiliadora e Iglu.

A Petrolina do Ponto Chic, das Pharmácias (com Ph mesmo) Rocha e Santa Therezinha, da Sapataria Me Calça e das lojas A Principal, A Primavera, Bazar Útil, Armarinhos Petrolina e Caruaru; assim como dos armazéns Maniçoba, São João, Dois de Julho, Pedro Dias, Zé Moxotó, João Barracão, Teodomiro Araújo, José Cristóvão, João Nascimento, Casa Carlos, Bar e Sinuca de Simplício, Baninho Móveis, Lojas Pernambucanas e Narciso, Alfaiataria Mangabeira, Oficina Mangabeira, Papelaria Kuka, Ourivesaria de João do Ouro, de Bastinho e muitos outros estabelecimentos à moda da época - que ficaria cansativo enumerar.

Também uma lembrança da Agência da Varig, do antigo Aeroporto, do Instituto e Patrimônio São José, dos Jornais O Pharol e O Sertão; dos Serviços de Alto-Falantes de Sissí e Menininho; da Emissora Rural A Voz do São Francisco cujo surgimento, acompanhei desde a festiva chegada dos transmissores e montagem dos equipamentos até a sua inauguração (a triunfal entrada no ar com a música ÊXODUS), escolha feita por mim, a quem desde o início de todo o processo Dom Antonio confiou a gerência da Rádio e nesta permaneci por longo tempo até me transferir para a Rádio Juazeiro a convite dos seus proprietários.

E não podemos esquecer, quando se fala de progresso, das Indústrias Coelho e da Somassa, e do benefício trazido pela construção e asfaltamento da redentora rodovia Recife/Petrolina pelo Governador Nilo Coelho. Junte-se a estas lembranças a recordação das concorridas festas natalinas, do Mês de Maio na Matriz, das tardes dançantes na Sociedade 21 de Setembro e no Petrolina Clube, dos carnavais cuja tônica eram as Escolas de Samba, onde se destacavam no gosto popular a Pirata Reis do Samba (de Expedito), Escola de Adão, e Escola de Dona Mariquinha, entre outras.

A Petrolina de hoje é esta que acabo de ver: pujante, ascendente, encantadora – embora ainda com muitos problemas quanto à infra-estrutura e planejamento – problemas naturais a uma cidade que se expande tão rapidamente em todos os sentidos.

A cidade conhecida como grande celeiro e exportadora de frutas, possuidora de importante aglomerado de meios de comunicação, destacando-se entre estes as suas emissoras de rádio e sem dúvida os seus modernos sistemas de divulgação web como os blogs. Uma cidade bela de se ver e se morar, com um rio a lhe molhar os pés nos dias de calor de mais de 30 graus. Cidade generosa que não para de crescer, que se abre para receber milhares de famílias que aqui aportam em busca de melhora de vida, vindas de cidades e regiões vizinhas, de outros estados, de qualquer lugar, de muito distante, de além-mar.

Costuma-se dizer que Petrolina é como coração de mãe: sempre cabe mais um (e mais muitos, muitos mais) e aceita a todos com carinho.

Hoje, da Petrolina do passado restam “pouco” e “poucos”, mas esse pouco é ainda o que mais lhe identifica, e esses poucos são os que mais lhe enobrecem: uma casta que se compõe de homens e mulheres que plantaram os alicerces do futuro e se tornaram os construtores de uma memória que não pode ser apagada com o passar do tempo!

É assim que continuo vendo Petrolina (duas em uma) – surpreendente igual ao vinho que já se produz em suas entranhas e que para degustação e consumo quanto mais velho fica, melhores são, o seu aroma, o bouquet, o paladar.

Pena é que não posso estar hoje presente nas festas dos seus 118 anos, pois me impedem de fazê-lo os compromissos de trabalhos aqui no Distrito Federal. Outras oportunidades virão por certo. Mesmo assim abraço a todos!
Saudações, Petrolina! Parabéns!


Texto de Jota Mildes 
Escultor, pintor, jornalista, radialista, cronista, contista e articulista.
Autor de várias obras entre elas, O Bodódromo, estátua do Vaqueiro Raimundo Jacó entre tantas outras que se encontram no vídeo acima postado.

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